terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Estudante de Enfermagem da URI quer nova realidade na saúde

Reunidos em torno da máxima de que um outro mundo é possível, centenas de jovens já estão instalados no Acampamento Intercontinental da Juventude. O espaço, no Parque da Harmonia, abriga parte da chamada esquerda festiva, mas tem muita gente engajada em aplicar práticas mais solidárias e alternativas ao sistema econômico.

Exemplo é a estudante de Enfermagem da Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai e das Missões (URI) Isabel Spies, de Santo Ângelo. Desde domingo em Porto Alegre, ela participou durante dois dias de um curso organizado por estudantes para formar os facilitadores do VER-SUS, Vivências e Estágios na Realidade do Sistema Único de Saúde (SUS). Ontem, ela se transferiu para o acampamento para se integrar ao Fórum Social Temático (FST).

O projeto VER-SUS, desenvolvido pelo Ministério da Saúde em conjunto com as entidades estudantis e as secretarias municipais de Saúde, é uma imersão de alunos nas atividades rotineiras do serviço público. O estágio não remunerado é realizado no período de férias, durante 15 a 20 dias, e serve para integrar os futuros profissionais à realidade da organização dos serviços. As atividades acontecem nos três turnos e os estudantes usam o sistema de hospedagem solidária.

Para defender a bandeira da saúde pública, Isabel e outros colegas do VER-SUS foram à Marcha de Abertura do Fórum. Nos próximos dias a agenda inclui a troca de informações com multiplicadores de outros projetos gaúchos, além da participação em uma oficina de apresentação do VER-SUS na sexta-feira, na tenda da saúde.

A jovem, de 20 anos, também aproveita as atividades do evento para conhecer o Fórum. "Como estou me inserindo no movimento estudantil, entrei recentemente para o DCE, e participo da montagem do diretório acadêmico de Enfermagem, achei interessante conhecer outras políticas e culturas e me integrar a esse novo mundo", destaca Isabel.

Segundo a estudante, a faculdade ensina a teoria sobre o sistema público de saúde, mas na prática há outra realidade. "Saímos da universidade sem saber trabalhar com saúde pública. O estágio propicia que se forme um senso crítico, um compromisso ético e político com o sistema. Quando a gente for trabalhar já teremos conhecimento da realidade, pois já discutimos e fizemos uma comparação crítica. E isso é importante não apenas como profissional, mas como cidadão."

Causas sociais defendidas por diferentes sotaques

De Norte a Sul, desde domingo chegam novos hóspedes no Acampamento da Juventude. É uma miscelânea de sotaques brasileiros - os estrangeiros são exceções -, que defendem diferentes bandeiras sociais e econômicas.

As estudantes de Teresina (PI) Rafaela Fernandes, que cursa Serviço Social, e Bianca Oliveira, acadêmica de Química, chegaram no Parque Harmonia ontem, por volta das 15h30min, quando os termômetros marcavam 35°C. A exaustão era visível enquanto montavam a barraca. Além do calor, a trajetória foi longa: saíram às 2 horas da manhã e só desembarcaram no aeroporto Salgado Filho às 13h. Tudo para defender a causa do meio ambiente no Fórum Social Temático (FST). Bianca faz parte da Rede da Juventude pelo Meio Ambiente e Sustentabilidade e vai participar das oficinas promovidas pela entidade.

Renata da Silva Melo, de Nova Iguaçu, Rio de Janeiro, também chegou ontem à tarde. A estudante de Jornalismo da UFRJ, de 21 anos, que trabalha na Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), veio a Porto Alegre convencida de que somente a discussão coletiva é capaz de transformar o mundo. Logo que chegou Renata foi para a Marcha de Abertura e já tinha como certa a participação nos encontros promovidos pela Fiocruz. Para ela, é preciso discutir o papel de cada um na sociedade. “Como cidadã e estudante de uma universidade pública, tenho a responsabilidade de construir um conhecimento útil para a sociedade.”

Reportagem: Karen Viscardi - Foto: Marco Quintana
Jornal do Comércio - Matéria em http://jcrs.uol.com.br/site/noticia.php?codn=84871